O banco vazio


Num museu de dimensão razoável, uma pessoa vê no horizonte um sinal de esperança, os pés ganham ânimo e conseguem o que parecia impossível, e aceleram! Um banco vazio, um imediato agradecimento às forças positivas do universo, um sorriso, um alívio anunciado!! Eis senão quando, a antítese de tudo. O absurdo. Um banco que não serve para sentar. Só para ver. O banco que não o é. O símbolo do parecer que sabe, que se é, que se serve. Mas não se cumpre. Um artista um dia lembrou-se de fazer um banco só para se ver.

Em mim a emoção é motivada pela dor, lágrimas de agonia perante o que parece possível. Mas não é. Balde de água e fria e umas quantas pragas lançadas à redefinição do conceito de um banco. As forças positivas do universo riam-se, e eu ouvia resignada o eco das gargalhadas. O meu rabo não era digno de repousar na obra.
Nunca tinha pensado no meu rabo como algo pouco digno, ou com uma qualquer categoria especial.
O banco em que não me pude sentar tinha umas letras que, num acto de irreverência, não li. Num banco onde o meu rabo não se senta, os meus olhos não se demoram!!  Foi uma singela, mas sentida homenagem à importância do conceito. Excepções só à bebida Brasa, que parece que é mas não é, mas essa aquece o coração.

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